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Pedro Mota, da Nu Asset, aponta renda fixa e ETFs ativos como próximos motores de crescimento do mercado

O crescimento dos ETFs no Brasil dependerá de produtos capazes de resolver problemas concretos de alocação, e não apenas de ampliar a quantidade de fundos listados. Essa foi a linha central da participação de Pedro Mota, gestor de portfólio da Nu Asset, no painel “ETFs: inovação, acesso e o futuro dos investimentos”, realizado nesta terça-feira, 29 de setembro, no TAG Summit. A conversa teve mediação de Kaique Negrão, da TAG Investimentos, e Thiago Salomão, do Market Makers.

Mota apontou a renda fixa, as estratégias baseadas em fatores e uma futura regulamentação dos ETFs ativos como frentes de desenvolvimento. Na avaliação do gestor, a estrutura listada em bolsa permite reunir uma carteira de ativos sob regras conhecidas, divulgar seus componentes e oferecer negociação durante o pregão. O índice define a estratégia dos produtos hoje disponíveis no Brasil. “O índice é a estratégia de investimento”, afirmou.

Liquidez exige olhar para os ativos da carteira

Uma das dúvidas abordadas no painel foi a liquidez de ETFs com baixo volume de negociação aparente. Mota observou que os negócios registrados na tela representam apenas uma parte desse mercado. O formador de mercado mantém ofertas de compra e venda, enquanto a capacidade de negociar os ativos da carteira também influencia a criação e o resgate de cotas.

Isso não significa que o volume diário possa ser ignorado. Para avaliar uma operação, é preciso considerar o tamanho da ordem, as ofertas disponíveis, o spread entre compra e venda e a liquidez dos ativos subjacentes. O ponto do gestor é que concluir que um ETF não tem liquidez apenas porque negociou pouco em determinado pregão deixa de fora parte do funcionamento do produto.

Na estruturação de novos fundos, essa análise começa antes da listagem. A Nu Asset examina o mercado que o ETF pretende acessar e desenvolve as regras do índice correspondente. Mota citou como exemplos carteiras de ações do Ibovespa, títulos públicos indexados à inflação e fundos estrangeiros utilizados por ETFs locais. Depois do lançamento, cabe à gestão manter a carteira aderente à metodologia apresentada ao investidor.

Renda fixa e controle da duration

Para Mota, a expansão da renda fixa é particularmente relevante em um mercado no qual os títulos públicos ocupam espaço central nas carteiras. Ele afirmou que os ETFs dessa classe ganharam escala depois de um início mais lento e passaram a reunir mais patrimônio que os ETFs de renda variável no Brasil.

O gestor dedicou parte da conversa à duration, medida importante da sensibilidade dos títulos às mudanças nas taxas de juros. Uma carteira com duration mais longa tende a oscilar mais quando os juros se movem. Segundo ele, índices tradicionais de inflação podem ter sua duration alterada com o passar do tempo, o que modifica o risco assumido pelo investidor mesmo sem uma nova decisão de alocação.

A Nu Asset desenvolveu com a B3 índices para ETFs de títulos IPCA+ com duration alvo de dois, cinco e dez anos. O rebalanceamento busca preservar essa característica ao longo do tempo. Mota distinguiu essa estrutura da compra de uma NTN-B individual: o título tem uma data de vencimento definida, enquanto o ETF renova a carteira de acordo com as regras do índice.

Ele também citou o NCDI11, ligado a títulos Tesouro Selic, para mostrar como uma exposição tradicional de renda fixa pode ser oferecida em cotas negociadas na bolsa. Nesse caso, a experiência inclui preço visível durante o pregão e liquidação em D+1. As diferenças entre ETF, título individual e fundo tradicional envolvem ainda custos, tributação e o momento em que o investidor precisa dos recursos.

 

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Dos dividendos aos ETFs ativos

O painel coincidiu com o terceiro aniversário do NDIV11, primeiro ETF brasileiro a distribuir dividendos. Mota contou que o índice acompanhado pelo fundo foi desenvolvido pela Nu Asset em conjunto com a B3. A metodologia seleciona ações do universo do Ibovespa a partir de um histórico de pagamentos, dando mais peso aos proventos recentes que aos antigos.

Para o gestor, estratégias como dividendos, baixa volatilidade e high beta mostram que um ETF atrelado a índice pode seguir regras mais específicas que as de uma carteira ampla de mercado. No caso da baixa volatilidade, a seleção é refeita conforme o comportamento das ações. Uma empresa ou setor que deixe de apresentar as características exigidas pela metodologia pode perder espaço na carteira no rebalanceamento seguinte.

Mota defendeu, porém, que o próximo passo regulatório permita também ETFs sem obrigação de acompanhar um índice. Ele descreveu a distinção como a diferença entre gestão indexada e não indexada. Na sua avaliação, os ETFs ativos precisariam manter uma política de investimento compreensível e padrões de transparência compatíveis com a negociação em bolsa. A possibilidade está em discussão no mercado brasileiro, mas depende de evolução das regras atuais.

O tamanho da oportunidade e os próximos produtos

Ao discutir a relação entre ETFs e fundos tradicionais, Mota disse esperar uma participação maior dos produtos listados nas alocações centrais das carteiras, como exposições amplas a ações, juros prefixados e títulos IPCA+. Para estratégias que exigem decisões específicas de gestores, ele vê espaço complementar. A expansão dos ETFs, portanto, não pressupõe o desaparecimento da gestão ativa tradicional.

O gestor mencionou a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio como uma ambição de longo alcance para a indústria de ETFs, sem estabelecer uma data para atingi-la. Para a Nu Asset, afirmou que o objetivo é multiplicar por mais de dez vezes o patrimônio que a gestora tinha em ETFs, estimado por ele em cerca de R$ 1,3 bilhão durante o painel.

Na oferta de produtos, Mota destacou os ETFs internacionais com proteção cambial já lançados pela casa, voltados a crédito corporativo americano e empréstimos alavancados. Também antecipou a intenção de lançar nas próximas semanas um ETF de ações globais com hedge cambial. A proteção procura reduzir a oscilação do dólar frente ao real, mas altera a composição do retorno e tem custos e efeitos associados ao mercado futuro. A carteira internacional continua sujeita às variações dos ativos em que investe.

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