
À esquerda, Gustavo Yuki. À direita, Anderson Moreira.
O acesso a diferentes mercados, a construção de carteiras e o papel da educação financeira na expansão dos ETFs estiveram no centro da participação de Anderson Moreira, Head de Conteúdo da DEX, na XI Semana de Mercado Financeiro. Promovido pela Liga de Mercado Financeiro da UNESP de Araraquara, o evento reuniu estudantes para uma conversa sobre o funcionamento desses fundos e as transformações da indústria brasileira.
Com a proposta de discutir os ETFs como evolução ou revolução no mercado de investimentos, o painel percorreu desde os conceitos básicos até questões sobre índices, liquidez, custos e diferenças entre estratégias. A conversa também abriu espaço para perguntas do público sobre exposição internacional, proteção cambial, distribuição de rendimentos e renda fixa.
Para Anderson, entender o ETF começa por reconhecer seu papel como veículo de investimento. A negociação em bolsa é uma característica da estrutura, enquanto a exposição e os riscos dependem da carteira e da estratégia adotada.
“Por meio de um ETF, você consegue acessar bolsa brasileira, você consegue acessar título público, você consegue acessar mercado internacional”, explicou.
Para ilustrar essa possibilidade, Anderson convidou os estudantes a citar empresas americanas. Nomes como Nvidia, Apple, Amazon e Microsoft apareceram nas respostas. A partir do exercício, mostrou a diferença entre conhecer algumas companhias e acessar uma carteira que reúne centenas delas: o ETF permite investir em um conjunto de ativos sem exigir que o investidor selecione individualmente cada empresa.
O exemplo conduziu a discussão sobre diversificação e alocação. Na avaliação apresentada, a construção de uma carteira passa pela escolha dos mercados e das classes de ativos que fazem sentido para o objetivo do investidor. Os ETFs podem facilitar a execução dessa escolha, oferecendo exposições a diferentes setores e geografias.
A conversa também abordou os desafios de superar os índices de referência de forma consistente. O especialista citou os relatórios SPIVA ao discutir a comparação entre gestão ativa e índices, relacionando o tema à importância dos custos na experiência do investidor. Taxas, transparência da carteira e compreensão da estratégia apareceram como elementos relevantes para avaliar um fundo.
Ao tratar do funcionamento dos ETFs, destacou o trabalho que existe por trás da negociação de uma cota. A metodologia do índice, a gestão da carteira e a atuação dos participantes de mercado compõem uma estrutura que precisa ser compreendida para além do preço exibido na tela da corretora.
A liquidez foi um dos exemplos. Anderson explicou que a análise envolve o volume negociado das cotas, a atuação do formador de mercado e a liquidez dos ativos que integram a carteira. O ponto ajudou a apresentar aos estudantes a relação entre o ETF negociado em bolsa e os investimentos aos quais ele dá acesso.
Esse esclarecimento também apareceu na discussão sobre renda fixa. Anderson chamou a atenção para uma associação que pode dificultar a compreensão do produto: considerar que todo investimento negociado em bolsa tem necessariamente a mesma natureza de uma ação.
“Bolsa de valores não é ação. Bolsa de valores é um ambiente de negociação”, afirmou.
A distinção serviu para reforçar a importância de olhar para a exposição efetiva de cada fundo. Ao abordar estratégias que combinam títulos públicos com características diferentes, explicou que o investidor precisa conhecer a composição da carteira e os riscos envolvidos, inclusive quando o produto está inserido no universo da renda fixa.
A evolução da indústria brasileira foi outro eixo do painel. Anderson apresentou a trajetória dos ETFs no país a partir do PIBB11 e discutiu a ampliação das possibilidades de investimento. Na sua avaliação, o desenvolvimento do mercado depende de um conjunto de fatores, como educação financeira, aprimoramento da experiência nas plataformas e evolução da regulamentação.
Nesse contexto, ele apresentou a atuação da DEX em quatro pilares: índices, dados, educação e notícias. Na participação, mencionou oito ETFs vinculados a índices da empresa, com exposições que incluem criptoativos, metais preciosos e ações internacionais. Também destacou o papel do conteúdo na explicação das estratégias e dos movimentos de mercado.
As perguntas dos estudantes aprofundaram essa discussão. Ao abordar investimentos internacionais, o especialista da DEX explicou as diferenças entre estratégias com e sem proteção cambial. O exemplo mostrou por que conhecer o mercado de referência é apenas uma parte da análise: a exposição à moeda também pode influenciar o comportamento do investimento em reais.
A conversa sobre distribuição de rendimentos trouxe outro aspecto da escolha de um ETF. Moreira diferenciou estratégias voltadas à acumulação de patrimônio daquelas que distribuem renda e destacou a necessidade de compreender como cada estrutura funciona.
“No fim do dia, não existe o melhor ETF. Existe o mais adequado, existe o mais alinhado com o teu objetivo”, afirmou.
A ideia sintetizou a abordagem do painel: ampliar o acesso aos investimentos precisa caminhar junto com a compreensão das alternativas disponíveis. Para Anderson, explicar as diferenças entre os produtos, seus riscos e suas formas de exposição é parte do trabalho necessário para aproximar mais pessoas desse mercado.

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