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Os ETFs de criptoativos negociados na B3 abriram a semana com resultados bastante diferentes. Na segunda-feira, 28 de setembro, o XRPH11 caiu 4,33%, enquanto o BITH11 avançou 0,24%. HASH11 recuou 0,87%, ETHE11 perdeu 0,37% e SOLH11 ficou praticamente estável, com baixa de 0,06%.
Dois acontecimentos ajudam a explicar a sessão. No cenário global, o avanço do petróleo reacendeu preocupações com a inflação e levou o rendimento do título de dez anos do Tesouro americano de 5,17% para 5,24% ao ano entre sexta e segunda-feira. Juros mais altos pressionam ativos de risco, inclusive criptoativos. Ao mesmo tempo, o dólar ganhou força frente ao real, oferecendo suporte aos preços em reais dos ETFs brasileiros com exposição internacional.
Para o XRP, havia uma pressão adicional e concreta. A Bitget informou que um ataque detectado em 24 de setembro retirou cerca de US$ 387,5 milhões de suas carteiras operacionais, envolvendo ativos de diferentes redes, inclusive XRP. A empresa suspendeu saques e programou a retomada em etapas a partir de 28 de setembro. Na investigação dos movimentos em blockchain, a Arkham identificou a transferência de aproximadamente 103 milhões de XRP para endereços associados ao ataque. O episódio criou preocupação com a circulação desses tokens justamente quando o mercado global reduzia sua disposição a assumir risco.
XRPH11 (Hashdex): -4,33%
O XRPH11 foi o mais atingido entre os cinco ETFs acompanhados. Sua política prevê investimento de pelo menos 95% do patrimônio em exposição a XRP, diretamente ou por instrumentos e veículos que acompanhem o índice de referência.
O incidente da Bitget forneceu essa notícia. Além do montante total retirado da plataforma, a transferência identificada de cerca de 103 milhões de XRP tornou relevante para os negociadores a possibilidade de venda futura desses ativos. Transferência de carteira não é, por si só, venda em bolsa, mas aumenta a atenção sobre a oferta potencial. A queda do XRP ocorreu, portanto, sob a combinação de uma preocupação própria do token e da pressão macroeconômica que alcançou o mercado cripto como um todo.
O dólar mais alto atuou no sentido oposto para a cota brasileira. Ainda assim, a perda de 4,33% do XRPH11 mostra que a fraqueza da exposição a XRP dominou o resultado negociado na B3.
BITH11 (Hashdex): +0,24%
O BTC também enfrentou a piora do ambiente global: o rendimento maior dos Treasuries elevou a concorrência de ativos que pagam juros, enquanto o petróleo mais caro reforçou o receio de inflação persistente. O bitcoin negociava perto de US$ 84 mil durante a segunda-feira, após uma sequência de sessões de queda.
A cota brasileira, porém, fechou com ganho de 0,24%. O câmbio foi um motor relevante dessa diferença de sinal: como a exposição ao bitcoin é expressa em reais para o investidor do BITH11, a valorização do dólar compensou a pressão sobre o ativo internacional na formação do preço local.

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HASH11 (Hashdex): -0,87%
O HASH11 acompanha uma cesta de criptoativos ponderada principalmente por valor de mercado. Na composição divulgada, bitcoin tinha 73,43% do índice, ether 11,93%, XRP 5,44%, solana 4,13% e Hyperliquid 3,42%. Cardano, Chainlink, Stellar e Bitcoin Cash completavam a carteira, com pesos individuais inferiores a 1%.
O peso de quase três quartos em bitcoin deu ao HASH11 uma base muito diferente da do XRPH11. Por outro lado, o fundo não estava isolado da pressão sobre outros tokens. XRP participava diretamente da carteira, e solana e Hyperliquid também perderam terreno no mercado internacional ao longo do dia. A valorização de Chainlink e Stellar trouxe forças positivas, mas seus pesos pequenos limitaram o efeito sobre o conjunto.
O recuo de 0,87% ficou, assim, entre a alta do ETF concentrado em bitcoin e a queda intensa do fundo de XRP. Essa posição intermediária decorre da carteira: a concentração em BTC amortizou parte da fraqueza dos demais componentes, enquanto a exposição às altcoins impediu que o HASH11 repetisse o resultado do BITH11.
ETHE11 (Hashdex): -0,37%
A pressão dos juros americanos também importa para esse fundo, pois o ETH integra a parcela de ativos de risco sensível à mudança no apetite global dos investidores.
O ataque à Bitget envolveu ativos na rede Ethereum, incluindo ETH, mas o resultado do ETHE11 foi bem menos negativo que o do XRPH11.
A diferença está na natureza da notícia específica. No caso do XRP, a movimentação de um grande volume de tokens roubados tornou a oferta potencial uma preocupação adicional. Para o ETHE11, a leitura do pregão passa sobretudo pela oscilação do ether em um ambiente de juros mais altos, contraposta pelo dólar mais forte na formação da cota em reais.
SOLH11 (Hashdex): -0,06%
O SOLH11 mantém exposição próxima de 100% a solana, diretamente ou por veículos que acompanham seu índice de referência. O resultado de -0,06% deixou a cota praticamente estável na B3. Assim como no ETHE11, a valorização do dólar contrapôs parte da pressão exercida sobre o ativo internacional.
A solana não participa do incidente da Bitget da mesma forma que o XRP exposto no XRPH11. Sua carteira concentra o risco em outro token, com dinâmica própria de negociação. No dia 28, isso produziu uma cota muito mais resistente que a de XRP, mesmo com o aumento generalizado dos juros americanos e a cautela nos mercados globais.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.