
Créditos: Magnific
O DINF11 estreou na B3 em 2 de setembro com uma estrutura inédita entre os ETFs brasileiros de infraestrutura: ações e renda fixa reunidas em um único veículo de gestão passiva. Gerido pela BTG Asset, o fundo replica o Índice Teva Infraestrutura Híbrido.
A estratégia mantém 80% da carteira em ações de empresas ligadas à infraestrutura e 20% em debêntures incentivadas ou títulos públicos indexados ao IPCA. A composição distribui a exposição entre energia elétrica, transmissão, saneamento, concessões, mobilidade e infraestrutura urbana.
O ETF chegou ao mercado com cota apresentada a partir de R$ 10 e taxa de administração de 0,20% ao ano. Os dividendos, juros e demais rendimentos recebidos são reinvestidos na carteira, incorporando os proventos ao patrimônio do fundo.

Uma estratégia híbrida para infraestrutura
O DINF11 reúne duas fontes complementares de retorno. A parcela acionária oferece participação na valorização e nos dividendos das empresas. A renda fixa acrescenta juros reais, exposição ao crédito privado e remuneração associada à inflação.
Na alocação em ações, o índice privilegia companhias de maior porte e com histórico de distribuição de dividendos. A carteira concentra empresas com operações consolidadas em segmentos essenciais, projetos de longa duração e receitas mais previsíveis.
A parcela de crédito reúne debêntures incentivadas de infraestrutura remuneradas pelo IPCA, selecionadas por critérios de qualidade e liquidez. A carteira também pode utilizar títulos do Tesouro IPCA+, ampliando a flexibilidade para manter a exposição inflacionária dentro dos parâmetros da estratégia.
A combinação distribui os riscos entre classes de ativos com dinâmicas diferentes. As ações respondem aos resultados das empresas, à atividade econômica, à regulação e à curva de juros. As debêntures incorporam risco de crédito, liquidez e marcação a mercado.
Com 80% do patrimônio em renda variável, o DINF11 permanece predominantemente acionário. A parcela de renda fixa funciona como fonte adicional de carregamento e diversificação, sem transformar o ETF em uma estratégia conservadora.
Carteira concentra energia e alcança diferentes segmentos
A carteira acionária de estreia reune 16 empresas. Entre as dez maiores posições, sete estão diretamente associadas à geração, distribuição ou transmissão de energia elétrica. Copasa acrescenta exposição ao saneamento, enquanto Allos e Motiva representam infraestrutura urbana, mobilidade e concessões.

Copel, Cemig e Axia Energia ocupam as três primeiras posições, todas próximas de 8%. Taesa, CPFL Energia, ISA Energia e Energisa ampliam a presença do setor elétrico, com exposições complementares em geração, distribuição e transmissão.
Copasa representa o bloco de saneamento com 7,10%. Allos acrescenta ativos urbanos, enquanto Motiva incorpora concessões rodoviárias, mobilidade e infraestrutura de transportes.
A metodologia limita cada ação a 10% da carteira. Na parcela de crédito, um único emissor pode representar no máximo 3,33%. Esses limites reduzem a concentração em empresas específicas, embora o portfólio permaneça direcionado à infraestrutura brasileira.
Diversificação no crédito é parte central da proposta
A carteira possui 268 ativos, com a maior parte da diversificação concentrada no bloco de renda fixa. Na estreia, mais de 230 debêntures integravam o portfólio, distribuindo a exposição entre diferentes emissores, projetos e vencimentos.
A escala da carteira reduz o impacto potencial de uma emissão individual. Para a pessoa física, montar diretamente uma carteira com centenas de debêntures exigiria capital elevado, acesso a diferentes ofertas e acompanhamento permanente do risco de cada emissor.
A diversificação não elimina os riscos do crédito privado. Cada título continua sujeito à capacidade de pagamento da empresa, à liquidez no mercado secundário e às mudanças nas taxas reais. O diferencial do ETF está na distribuição dessas exposições e na aplicação sistemática dos critérios do índice.
O Índice Teva Infraestrutura Híbrido apresenta Sharpe de 0,69 nos últimos 12 meses. O indicador relaciona o retorno excedente à volatilidade e permite avaliar a eficiência histórica da estratégia sob uma perspectiva ajustada ao risco.
Por que combinar ações e debêntures?
A infraestrutura reúne negócios intensivos em capital, contratos de longo prazo e receitas frequentemente vinculadas à inflação. Essas características aparecem tanto nas ações das operadoras quanto nos títulos emitidos para financiar seus projetos.
Na parcela acionária, o investidor participa dos resultados operacionais, dos dividendos e da valorização das companhias. O retorno depende da execução dos projetos, da eficiência de cada empresa, das decisões regulatórias e das condições econômicas.
Na renda fixa, as debêntures incentivadas acrescentam remuneração baseada no IPCA e nos prêmios de crédito. O componente diminui a dependência exclusiva das ações, mas permanece sensível às taxas reais, à liquidez e à avaliação de risco dos emissores.
A estrutura procura equilibrar o potencial de valorização das empresas com o carregamento dos títulos. Como os rendimentos são reinvestidos, dividendos e juros passam a compor a evolução patrimonial do ETF.
BNDES poderá investir até R$ 200 milhões
O DINF11 foi selecionado em uma chamada pública do BNDES criada para estimular ETFs voltados à infraestrutura. O programa prevê até R$ 1 bilhão em investimentos, distribuídos entre até cinco fundos, com limite de R$ 200 milhões por produto.
Os recursos destinados ao DINF11 serão aplicados ao longo do tempo. O apoio acrescenta um investidor institucional relevante ao lançamento e conecta o desenvolvimento do mercado de ETFs ao financiamento da infraestrutura brasileira.
A participação do BNDES não altera a natureza de mercado do produto. O preço da cota continuará refletindo o valor da carteira, as oscilações das ações e debêntures e a dinâmica de negociação na B3.
Histórico retroativo mostra vantagem nos períodos mais longos
O histórico do Índice Teva Infraestrutura Híbrido começa em 1º de julho de 2016 e foi construído por backtest. Os resultados anteriores à estreia representam a aplicação retroativa das regras do índice, não a rentabilidade efetivamente obtida pelo DINF11.
Em 2026 até setembro, o índice acumulava 7,9%, ante 14,9% do Ibovespa. Nos últimos 12 meses, registrava 26,7%, frente a 32,0% do indicador brasileiro. Nesses dois horizontes, a estratégia ficou abaixo do mercado amplo.
Nos períodos mais longos, o desempenho relativo foi superior. Em 24 meses, o índice acumulou 43,4%, ante 37,3% do Ibovespa. Em 36 meses, avançou 66,4%, frente a 57,1%.
Desde o início do histórico retroativo, o índice acumulou 327,6%, ante 254,6% do Ibovespa. A diferença foi de 73 pontos percentuais.

Os resultados anuais também mostram ciclos distintos. Em 2024, o índice recuou 5,59%, ante queda de 10,36% do Ibovespa. Em 2025, avançou 46,62%, superando os 33,95% do mercado amplo. Em 2026 até setembro, ganhou 7,94%, enquanto o Ibovespa avançou 14,94%.
A estratégia superou o Ibovespa em 2024, 2025, nos últimos 24 e 36 meses e desde o início do backtest. Em 2026 e nos últimos 12 meses, o mercado amplo apresentou retorno superior.
Volatilidade permaneceu abaixo da registrada pelo Ibovespa
O Índice Teva Infraestrutura Híbrido apresentou volatilidade inferior à do Ibovespa em todos os horizontes divulgados.
Em 2026 até setembro, a volatilidade foi de 17,95%, ante 18,94% do Ibovespa. Nos últimos 12 meses, ficou em 16,50%, comparada a 17,44% do índice de ações.
Em 24 meses, o índice híbrido registrou volatilidade de 15,11%, ante 16,52% do Ibovespa. Em 36 meses, os números foram de 14,20% e 15,40%, respectivamente.
Desde o início do histórico, a volatilidade ficou em 17,86%, enquanto a do Ibovespa alcançou 22,62%. A diferença de 4,76 pontos percentuais foi a maior entre os horizontes apresentados.

A menor volatilidade é compatível com a combinação entre uma carteira acionária concentrada em negócios de infraestrutura e uma parcela de 20% em renda fixa. Empresas com receitas reguladas, contratos de longo prazo e demanda resiliente também apresentam dinâmica diferente da observada no mercado acionário amplo.
Isso não elimina a possibilidade de perdas. O ETF permanece majoritariamente exposto a ações e pode oscilar diante de altas dos juros, mudanças regulatórias, deterioração do crédito ou revisão das perspectivas econômicas.
Custos, liquidez e tributação
A taxa de administração do DINF11 é de 0,20% ao ano. O volume financeiro médio diário era de R$ 0,02 milhão, equivalente a aproximadamente R$ 20 mil no período de referência.
Para a pessoa física, a venda das cotas está sujeita à alíquota de 15% de Imposto de Renda, com retenção na fonte. O produto não possui come-cotas nem cobrança de IOF.
As debêntures incentivadas podem ser isentas de Imposto de Renda quando adquiridas diretamente por pessoas físicas. Essa isenção não se transfere automaticamente para o DINF11, que possui tratamento tributário próprio como ETF híbrido.
O volume negociado também merece atenção. Uma liquidez diária reduzida pode aumentar a distância entre as ofertas de compra e venda e exigir maior cuidado na execução das ordens.
BTG Asset amplia presença no mercado de ETFs
O DINF11 integra a expansão da BTG Asset no mercado brasileiro de fundos de índice. A gestora tinha aproximadamente R$ 1 bilhão sob gestão em ETFs em dezembro de 2024 e alcançou R$ 20 bilhões em junho de 2026.
O lançamento ocorreu menos de um mês após a estreia do AMAB11, ETF direcionado a ativos ligados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. O DINF11 acrescenta à plataforma uma estratégia híbrida voltada à infraestrutura nacional.
O novo produto também amplia as possibilidades da indústria local. Em vez de replicar exclusivamente uma carteira de ações ou de títulos, o DINF11 utiliza um índice multiativos para organizar as duas classes dentro da mesma estratégia.