Mercado de capitais e sustentabilidade: BTG Pactual e BID marcam estreia do ETF AMAB11 com cerimônia na B3
A cobertura da DEX acompanhou de perto a cerimônia Ring the Bell, que reuniu lideranças do setor financeiro, organismos multilaterais e agentes de mercado para celebrar a criação de um instrumento que visa unir rentabilidade financeira, transparência de governança e impacto socioeconômico positivo na maior floresta tropical do planeta.
Democratização do acesso com cotas a partir de R$ 10
Um dos principais diferenciais do AMAB11 é a sua proposta de acessibilidade. Com aplicação inicial em torno de R$ 10 por cota, o produto elimina barreiras históricas que restringiam investimentos de impacto social e ambiental a grandes investidores institucionais ou fundos exclusivos.
Por meio do ETF, investidores pessoa física e institucional de qualquer porte podem alocar recursos em uma carteira diversificada de títulos de renda fixa associados a critérios claros de elegibilidade e à promoção do desenvolvimento sustentável na região amazônica.
O AMAB11 replica a performance do Índice Teva Amazonia Bonds, desenvolvido especialmente para selecionar ativos alinhados ao desenvolvimento sustentável da região. A carteira é composta por três principais classes de ativos de renda fixa:
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Índice Teva Amazonia Bonds – ABIG Aligned;
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Índice Teva Amazonia Bonds – Debentures Sector Selection
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Índice Teva Tesouro IPCA Ultra-Longo Monoativo
Para gerir essa estrutura, o fundo conta com uma taxa de administração de 0,40% ao ano, considerada competitiva para a categoria de ETFs temáticos de renda fixa. Além disso, a carteira do índice passa por rebalanceamentos mensais, garantindo que a seleção de papéis permaneça constantemente ajustada aos critérios de liquidez, risco, elegibilidade socioambiental estabelecidos pela Teva Índices e pelo BID e com prazo médio de repactuação em torno de 760 dias para garantir a tributação de 15% no ganho de capital.
Dimensão econômica e preservação: agendas convergentes
A criação do AMAB11 reflete uma mudança estrutural na forma como o mercado financeiro analisa a Amazônia. A abordagem histórica, frequentemente focada unicamente na preservação ambiental sob a ótica de custo ou conservação isolada, cede espaço a um modelo integrado em que a conservação ambiental caminha lado a lado com a geração de emprego, infraestrutura e renda local.
Durante o evento de lançamento, Rubens Henriques, CEO do BTG Pactual Asset Management, destacou essa transição de paradigma e ressaltou a evolução da indústria de fundos e do mercado de ETFs no país, cuja plataforma da gestora saltou de cerca de R$ 1 bilhão no fim de 2024 para mais de R$ 20 bilhões em 2026, alcançando mais de 100 mil investidores:
“Hoje atingiremos um marco relevante para a indústria de fundos brasileira: lançaremos o primeiro ETF de renda fixa combinando impacto e retorno financeiro. Esse crescimento reforça nossa convicção de que os ETFs são uma ferramenta cada vez mais relevante para democratizar o acesso a diferentes estratégias de investimento. Acredito que estamos entrando em uma nova fase nessa indústria (…). Durante muito tempo, quando falávamos de Amazônia, a conversa era sempre restrita à sustentabilidade e preservação ambiental, o que obviamente é um tema muito importante. Mas aos poucos essa discussão passou a incorporar uma outra dimensão: a dimensão econômica.”
— Rubens Henriques, CEO do BTG Pactual Asset Management

Rubens Henriques, CEO do BTG Pactual Asset Management. Créditos da fotografia: Patrícia Alves
Henriques reforçou ainda que o mercado de capitais possui a musculatura necessária para direcionar liquidez e poupança privada a teses estruturais:
“Vem crescendo o entendimento que desenvolvimento e preservação da Amazônia não são agendas opostas, pelo contrário. A região concentra oportunidades relevantes em infraestrutura, saúde, educação e diversas outras atividades capazes de gerar desenvolvimento econômico de longo prazo. E isso naturalmente aproxima esse potencial do nosso mercado de capitais (…). Para nós, inovação financeira não significa apenas criar produtos, mas desenvolver soluções capazes de conectar investidores a temas estruturais da economia de forma simples, transparente e acessível.”
O programa ‘Amazônia Sempre’ e a atuação do BID
O AMAB11 nasce no âmbito da iniciativa Amazônia para Todos, estruturada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como parte do programa Amazônia Sempre — uma plataforma holística criada pela instituição multilateral para orientar financiamentos públicos e privados na região.
A metodologia do produto foi desenvolvida em parceria com a Teva Índices, responsável por desenhar um índice inédito com regras transparentes de elegibilidade para a seleção e acompanhamento dos ativos de renda fixa que compõem a carteira.
Presente no evento na B3, Ilan Goldfajn, presidente do BID e ex-presidente do Banco Central do Brasil, ressaltou o caráter simbólico e prático da iniciativa, apontando quatro pilares fundamentais do novo instrumento: democratização, impacto social, visão holística e fortalecimento do mercado de capitais.
“Eu diria que a gente não tá lançando apenas mais um ETF. Estamos tocando o sino da Floresta Amazônica para todos os brasileiros e do Brasil. O AMAB11 é o primeiro ETF da iniciativa Amazônia para Todos, uma iniciativa do BID que faz parte do programa Amazônia Sempre, que é uma plataforma de projetos relevantes na região Amazônica.”
— Ilan Goldfajn, Presidente do BID

Ilan Goldfajn. Presidente do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Créditos da fotografia: Patrícia Alves
Goldfajn detalhou a relevância de permitir que o cidadão comum seja parte ativa do ecossistema de financiamento da bioeconomia e das infraestruturas essenciais para a população local:
“Em primeiro lugar, a democratização. Por muito tempo, preservar a Amazônia era algo para grandes investidores, às vezes para corporações. Mas hoje, com apenas 10 reais, qualquer brasileiro pode, com poucos cliques no próprio celular, investir em um instrumento que lhe dá o prazer, o conforto e a responsabilidade de desenvolver de uma forma sustentável a Amazônia. A pessoa vai ser dona de uma parte de um projeto sustentável.”
Visão sistêmica e criação de liquidez para a região
Outro ponto central abordado pelos executivos durante o Ring the Bell é o efeito multiplicador que um ETF de renda fixa pode exercer sobre a emissão de novos títulos sustentáveis (green, social e sustainability bonds) ligados à Amazônia Legal.
Ao criar um veículo secundário transparente e líquido com cotas negociadas diariamente na bolsa, estimula-se uma cadeia virtuosa: empresas e concessionárias que operam na região encontram maior demanda institucional e de varejo para captar recursos via mercado de capitais em projetos de saneamento, transição energética, logística limpa, saúde conectada e agricultura sustentável.
Ilan Goldfajn enfatizou como essa estrutura conecta a ponta financeira à realidade social das populações amazônicas:
“Não é só o setor público que tem que cuidar da Amazônia, é o setor privado também. Não é só cuidar do desmatamento; o desmatamento você não consegue cuidar sem oferecer alternativas econômicas. Portanto, os nossos projetos são também para cuidar da infraestrutura das cidades, água, saneamento, habitação, cuidar das comunidades indígenas, conexão, oferecer saúde à distância na Amazônia e agricultura sustentável (…). Quando você junta a pessoa que investe R$ 10 com a pessoa que tem um benefício lá na ponta, na Amazônia, esses R$ 10 fazem toda a diferença.”
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