A XP Asset colocou no mercado o XCAP11, novo ETF voltado ao segmento de small caps da bolsa brasileira. O fundo chega em um momento de crescente interesse por empresas de menor capitalização em meio à expectativa de melhora do cenário para ativos domésticos, mas com uma proposta diferente da adotada pelos produtos tradicionais que acompanham o índice SMLL.
Segundo a gestora, o ETF replica um índice proprietário desenvolvido em conjunto com a B3, buscando corrigir um dos principais desafios da estratégia de small caps: a saída rápida das companhias que passam por ciclos de valorização mais expressivos.
De acordo com Leonardo Vasques, portfolio manager da XP Asset, a metodologia tradicional acaba eliminando do índice justamente empresas que começam a ganhar escala e relevância no mercado.
“O índice da B3, no SMLL, você tem um problema: quando a empresa das small caps começa a crescer muito, ela rapidamente sai de small cap e vira mid cap e sai do índice. Então você perde muito dessa fase de valorização.”
Ao mesmo tempo, segundo o gestor, empresas que sofrem forte desvalorização podem ingressar no índice com peso relevante, criando o que ele definiu como um processo de “seleção adversa”.
Nova metodologia busca suavizar entradas e saídas
A principal novidade do índice replicado pelo XCAP11 está na forma como as ações entram e saem da carteira.
Em vez de realizar mudanças imediatas quando uma companhia deixa de atender aos critérios de small caps, o processo ocorre de forma gradual. Segundo Vasques, os ativos que ultrapassam o limite de capitalização permanecem parcialmente no índice durante um período de até um ano.
“O papel que está saindo por causa da valorização não sai direto. Ele sai um terço no primeiro quadrimestre, o segundo terço no segundo quadrimestre, e só depois de um ano que ele sai inteiro.”
A lógica também vale para as empresas que passam a integrar o índice após períodos de queda de valor de mercado. Segundo a XP Asset, a consequência prática é um índice com menor rotatividade, o que tende a reduzir custos operacionais e impactos de rebalanceamento para o ETF.
Taxa de administração e potencial receita com aluguel
Outro diferencial apresentado pela gestora é a taxa de administração de 0,30% ao ano, posicionando o produto entre os ETFs mais competitivos da categoria de small caps.
Além disso, a XP destaca o potencial de geração de receita por meio do aluguel de ações, prática comum em fundos de índice brasileiros. Os recursos obtidos com essas operações retornam integralmente para o patrimônio do ETF.
“Quando a gente olha para um ETF de ações aqui no Brasil, toda receita que eu faço do aluguel dessas ações da carteira é revertida 100% para o ETF.”
Como exemplo, o gestor citou o desempenho histórico da estratégia de aluguel em outro ETF administrado pela casa.
“No nosso ETF de Ibovespa, por exemplo, o BOVX11, a gente gera no acumulado de 5 anos mais de 4% acima do Ibovespa só por causa de aluguel.”
Segundo ele, as ações de menor capitalização costumam apresentar taxas de aluguel mais elevadas, o que pode ampliar essa fonte adicional de retorno para os investidores.
Expectativa é superar o índice tradicional de small caps
A XP Asset afirma que o índice utilizado pelo XCAP11 apresentou desempenho superior ao índice tradicional de small caps nos estudos realizados em parceria com a B3.
“Novo índice que, nos dados da B3, supera o índice de small caps tradicional em torno de 2,5% ao ano.”
Embora resultados passados não representem garantia de desempenho futuro, a gestora acredita que a combinação entre a nova metodologia, menor turnover e a receita proveniente do aluguel de ações pode tornar o ETF uma alternativa relevante para investidores que buscam exposição ao universo de pequenas e médias empresas listadas na bolsa brasileira.
Veja a entrevista completa de Leonardo Vasques sobre o novo ETF da XP Asset.