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Itaú Asset destaca eficiência e transparência dos ETFs em evento para o mercado

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A indústria brasileira de ETFs atravessa uma mudança de estágio. Depois de anos dedicados à apresentação dos conceitos básicos, o mercado passou a buscar discussões mais aprofundadas sobre liquidez, tributação, composição das carteiras e eficiência na implementação das estratégias.

Essa transição marcou a abertura do evento “Por dentro dos ETFs e Fundos Listados”, promovido pela Itaú Asset. Eduardo Torrescassana, que iniciou a programação, afirmou que a procura pelos produtos se tornou mais forte e ativa. Segundo Torrescassana, a conversa deixou de ser apenas educacional e passou a envolver aplicações mais específicas dos ETFs nas carteiras.

Na primeira parte da programação, Carolina Imai, especialista em ETFs da Itaú Asset, apresentou o painel “ETFs: o simples que funciona”. Na sequência, Caique Cardoso, também especialista em ETFs da gestora, conduziu “Renda Fixa 2.0: o poder dos ETFs”.

Estrutura dos ETFs vai além da negociação em Bolsa

Imai definiu o ETF como um fundo de investimento negociado em Bolsa que normalmente busca acompanhar um índice de referência. A estrutura combina diversificação, transparência sobre a composição da carteira e facilidade para comprar ou vender cotas ao longo do pregão.

Os produtos podem ser utilizados em posições de longo prazo, operações táticas, proteção de carteira e aluguel de cotas. Dependendo do índice, uma única operação pode oferecer exposição a dezenas, centenas ou milhares de ativos. Os ETFs de renda fixa possuem liquidação em D+1, enquanto os de renda variável são liquidados em D+2.

Segundo os dados apresentados no evento, a indústria global já reunia mais de US$ 23 trilhões investidos em ETFs, mais de 15 mil fundos listados e mais de 500 gestores. No Brasil, o patrimônio havia superado R$ 140 bilhões, com mais de 200 produtos na B3 e mais de dez gestoras atuando nesse mercado.

 

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A Itaú Asset lançou o PIBB11 em 2004, apontado no painel como o primeiro ETF do país. A gestora informou possuir 33 ETFs, pouco mais de R$ 38 bilhões nesses produtos e participação próxima de 30% no mercado brasileiro. A área de estratégias indexadas administrava cerca de R$ 225 bilhões.

A expansão da plataforma também aparece no patrimônio alcançado por diferentes estratégias. Em levantamento publicado pela DEX, produtos da gestora com mais de R$ 1 bilhão foram comparados por patrimônio, fluxo e retorno em 2026, mostrando a presença da casa em segmentos como Bolsa brasileira, dividendos e renda fixa.

 

Leia também: ETFs do Itaú acima de R$ 1 bilhão: patrimônio, fluxo e retorno em 2026

 

Um dos principais pontos da apresentação foi que a liquidez de um ETF não deve ser avaliada apenas pelo volume negociado diariamente na tela. Também é necessário considerar a liquidez dos ativos que formam o índice.

Em um ETF de títulos públicos, a capacidade de negociação das LFTs, NTN-Bs ou dos títulos prefixados influencia a liquidez potencial do fundo. Em um ETF de Ibovespa, o mesmo raciocínio se aplica às ações que compõem o índice. Por isso, uma ordem superior ao volume normalmente observado pode ser atendida quando os ativos subjacentes possuem liquidez suficiente.

O formador de mercado tem papel central nesse processo. Além de inserir ofertas de compra e venda, esse participante pode atuar na criação e no resgate de cotas. Quando a demanda supera o estoque disponível, novas cotas podem ser constituídas com a cesta de ativos correspondente. Quando predominam as vendas, cotas podem ser resgatadas.

Esses movimentos permitem identificar entradas ou saídas efetivas de recursos. A criação líquida aumenta o número de cotas e o patrimônio do fundo, enquanto o resgate líquido produz o movimento contrário. As negociações entre investidores no mercado secundário, isoladamente, não representam captação ou resgate.

Imai também explicou que a gestão acompanha a aderência dos fundos aos índices, os spreads de negociação, a presença dos formadores de mercado e os rebalanceamentos. A carteira pode ainda gerar receitas adicionais por meio do aluguel de ações, sem mudar a exposição central ao índice.

 

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Na grade da gestora, o BOVV11 foi apresentado como uma alternativa de exposição ao Ibovespa com receitas provenientes do aluguel dos papéis da carteira. Em dividendos, o DIVO11 reinveste os proventos recebidos, enquanto o DIVD11 oferece uma estrutura de distribuição aos cotistas.

Tributação e estrutura internacional afetam o retorno líquido

Nos ETFs de renda variável, o ganho de capital é tributado à alíquota de 15%. Diferentemente do investimento direto em ações, não existe isenção para vendas mensais inferiores a R$ 20 mil. Os prejuízos podem ser compensados com ganhos posteriores dentro da mesma categoria tributária.

Quando um ETF distribui dividendos, há retenção de 15% na fonte. Nos produtos de acumulação, os valores recebidos permanecem no fundo e são reinvestidos na carteira.

Nos ETFs de renda fixa, a tributação depende do prazo médio de repactuação:

  • 25% para prazos de até 180 dias;
  • 20% para prazos entre 181 e 720 dias;
  • 15% para prazos superiores a 720 dias.

A alíquota não depende do período durante o qual cada investidor permanece com as cotas. O recolhimento ocorre na fonte pela instituição intermediária. Os ETFs também não possuem come-cotas nem incidência de IOF, e os cupons recebidos pela carteira podem ser reinvestidos dentro do fundo sem criar uma tributação intermediária para o cotista.

Na exposição internacional, Imai apresentou a nova estrutura do SPXI11, ETF que acompanha o S&P 500 e mantém a variação cambial. O produto passou a replicar o VUAA, da Vanguard, domiciliado na Irlanda sob a regulação UCITS.

A estrutura reduz de 30% para 15% a retenção sobre os dividendos pagos pelas empresas americanas ao veículo internacional. O VUAA também reinveste os dividendos dentro da própria carteira, em vez de distribuí-los.

 

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O SPXR11 foi apresentado como alternativa para quem deseja acompanhar o S&P 500 sem carregar diretamente a oscilação do dólar frente ao real. O produto utiliza proteção cambial e incorpora à estratégia o diferencial entre os juros brasileiros e americanos.

Renda fixa via ETF adia impostos e amplia a transparência

No segundo painel, Caique Cardoso apresentou os ETFs como uma nova forma de acessar riscos já conhecidos pelos investidores de renda fixa. O ativo subjacente continua sendo um título público ou uma cesta de títulos. A diferença está no veículo utilizado para negociar, reinvestir os rendimentos e administrar a tributação.

Na compra direta de títulos, o investidor segue a tabela regressiva de Imposto de Renda, que começa em 22,5% e chega a 15% depois de 720 dias. Os cupons também podem gerar recolhimentos tributários antes do vencimento da posição.

Em ETFs enquadrados na alíquota de 15%, não é necessário aguardar dois anos para alcançar essa faixa. Os cupons permanecem no fundo e são reinvestidos, mantendo uma parcela maior do capital exposta aos juros compostos. O imposto sobre o ganho continua existindo, mas seu pagamento ocorre quando o investidor vende as cotas.

Para demonstrar o impacto de retiradas antecipadas, o especialista apresentou uma simulação de 20 anos baseada no IMA-B. Duas estratégias acompanharam o mesmo índice e passaram pelos mesmos períodos de alta e queda, mas apenas uma sofreu a redução recorrente do come-cotas. Ao final do exercício, a diferença de retorno superou 250%. A comparação foi apresentada como uma simulação teórica, pois não havia um ETF equivalente no início do período considerado.

 

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A transparência foi outro eixo da apresentação. A renda fixa é tradicionalmente negociada no mercado de balcão, onde investidores podem receber preços diferentes para o mesmo papel conforme instituição, relacionamento comercial, volume e poder de negociação.

Nos ETFs, a negociação ocorre em ambiente eletrônico. O investidor pode observar as ofertas de compra e venda, os volumes, os negócios realizados e os horários de execução. Isso não elimina os spreads, mas permite compará-los antes da operação e reduz a assimetria de informação.

A Itaú Asset também disponibiliza estimativas intradiárias do valor das cotas e das taxas implícitas de seus ETFs de renda fixa. A proposta é traduzir o preço negociado em Bolsa para uma referência de taxa, aproximando a experiência do investidor individual daquela encontrada por instituições com maior escala.

 

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Entre as estratégias apresentadas, o CDIB11 combina uma posição majoritária em Tesouro Selic com uma parcela de Tesouro IPCA+ 2060. A presença do título longo eleva o prazo médio de repactuação para um alvo próximo de 800 dias, acima do limite de 720 dias associado à tributação de 15%.

A margem adicional busca reduzir o risco de desenquadramento em períodos de forte oscilação das taxas reais. O retorno tende a permanecer próximo do CDI porque a maior parte da carteira está em pós-fixados, mas a posição na NTN-B 2060 acrescenta volatilidade e pode levar o fundo a superar ou ficar abaixo do referencial em determinados períodos.

Na exposição à inflação, B5P211, IMAB11 e IB5M11 representam diferentes segmentos da curva de títulos públicos. O B5P211 possui menor duration, o IMAB11 amplia a exposição aos vencimentos e o IB5M11 apresenta maior sensibilidade aos juros reais de longo prazo.

Na renda fixa prefixada, IRFM11, IDKA11 e 5PRE11 também oferecem diferentes níveis de duration. O objetivo é permitir que a exposição seja ajustada conforme o horizonte, a tolerância ao risco e a visão sobre a curva de juros.

A família formada por TD3511, TD5011 e TD6011 concentra inicialmente seus recursos em títulos Tesouro IPCA+ com os vencimentos correspondentes. Os cupons são reinvestidos no fundo, mas as cotas não vencem. Antes que a redução do prazo da carteira altere o enquadramento tributário, a estratégia migra para uma composição de menor duration.

Dentro dessa família, o TD3511 ganhou destaque na captação. Uma análise publicada pela DEX mostrou a concentração das entradas no produto voltado ao Tesouro IPCA+ 2035 em comparação com os outros vencimentos oferecidos pela gestora.

 

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Leia também: TD3511 concentra captação entre ETFs de Tesouro IPCA+ do Itaú

 

Escolha do veículo influencia a experiência do investidor

Os dois painéis convergiram em uma mensagem: analisar um ETF exige olhar além do índice de referência.

Liquidez dos ativos subjacentes, spreads, atuação do formador de mercado, tributação, política de dividendos, reinvestimento, estrutura internacional e capacidade operacional da gestora podem influenciar a experiência e o retorno líquido.

Na renda variável, os ETFs oferecem diversificação e acesso a diferentes mercados por meio de cotas negociadas na B3. Na renda fixa, acrescentam transparência a um segmento tradicionalmente negociado no balcão e podem reduzir os efeitos da tributação antecipada.

O crescimento da indústria brasileira, portanto, não depende apenas da quantidade de produtos disponíveis. Também passa pela compreensão dos mecanismos que existem por trás das cotas e pela escolha da estrutura mais adequada para cada objetivo de investimento.

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