
Créditos: Crypto ID
13 ETFs da Itaú Asset ultrapassam R$ 1 bilhão em patrimônio e, juntos, reúnem R$ 37,18 bilhões. A captação líquida acumulada em 2026 chega a R$ 9,671 bilhões. BOVV11 lidera em patrimônio, com R$ 7,69 bilhões, e também em entradas, com R$ 2,215 bilhões.
O grupo abrange ações brasileiras, bolsa americana, Tesouro Selic e títulos públicos prefixados ou ligados ao IPCA. A composição das carteiras ajuda a explicar as diferenças de retorno: o prazo dos títulos altera sua reação às taxas de juros, enquanto a proteção cambial muda o resultado em reais dos ETFs internacionais. Apenas LFTI11, TECK11 e PIBB11 registram saída líquida. CDIB11 e TD3511 não têm retorno acumulado no ano informado.

BOVV11: alta de 15,76% em 2026
O maior ETF do grupo tem R$ 7,69 bilhões em patrimônio e captação líquida de R$ 2,215 bilhões. O BOVV11 acompanha o Ibovespa e acumula retorno de 15,76%.
A concentração nas maiores empresas da bolsa brasileira é decisiva para a leitura do fundo. Na composição divulgada para setembro, Vale representava 11,86% do índice, Itaú Unibanco 8,49% e as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras somavam 12,46%. Essas posições conectam o ETF principalmente ao comportamento de mineração, bancos e petróleo.
Os resultados das companhias ajudam a dimensionar o cenário enfrentado pela carteira em 2026. A Vale informou aumento de 19% no EBITDA do segundo trimestre, para US$ 4,1 bilhões, com preços realizados do minério de ferro 12% superiores aos de um ano antes. O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no período, alta de 7,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, 97% acima do resultado de um ano antes, apoiado também por maior produção de petróleo. O retorno do BOVV11 reflete a variação de toda a carteira ao longo do ano.
SPXR11: alta de 19,22% em 2026
Com R$ 5,28 bilhões em patrimônio e R$ 975 milhões em entradas líquidas, o SPXR11 apresenta o maior retorno acumulado entre os 13 ETFs: 19,22%.
O fundo oferece exposição ao S&P 500 por meio de contratos futuros, com proteção contra a variação do dólar. Sua estrutura incorpora também o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Esse componente merece atenção em 2026: mesmo após o corte de setembro, a Selic estava em 13,75% ao ano. A leitura dos 19,22% exige, portanto, considerar tanto a bolsa americana quanto a forma como o índice do SPXR11 trata o câmbio e os juros.
O contraste com o SPXI11, que acumula 5,91%, ilustra a diferença entre as estratégias. Ambos se relacionam ao mercado acionário americano, mas o SPXI11 mantém a exposição ao dólar. A moeda americana começou 2026 perto de R$ 5,45 e era negociada em torno de R$ 5,10 em setembro. A valorização do real reduz, na conversão para reais, o ganho de uma carteira americana sem proteção cambial. Os retornos dos dois fundos também refletem diferenças entre seus respectivos índices: a distância de 13,31 pontos percentuais entre eles não corresponde a uma medida isolada do efeito do câmbio.
B5P211: alta de 10,56% em 2026
O B5P211 soma R$ 4,29 bilhões em patrimônio, recebeu R$ 880 milhões e acumula retorno de 10,56%. Sua carteira acompanha títulos públicos atrelados ao IPCA concentrados em vencimentos mais curtos, no segmento de até cinco anos.
Essa escolha de prazo foi relevante para o desempenho da renda fixa em 2026. Até agosto, o IMA-B 5, referência ampla para NTN-Bs com vencimento inferior a cinco anos, acumulava alta de 9,18%. O IMA-B 5+, formado por papéis com vencimentos superiores a cinco anos, subia 4,84% no mesmo intervalo. O segmento curto recebeu os juros e a atualização monetária dos títulos com menor sensibilidade às oscilações das taxas reais de longo prazo. Essa dinâmica ajuda a entender por que o B5P211 supera o IMAB11 no recorte.
IMAB11: alta de 8,92% em 2026
O IMAB11 tem R$ 3,88 bilhões em patrimônio, R$ 581 milhões em captação e retorno acumulado de 8,92%. Diferentemente do B5P211, seu índice reúne NTN-Bs de vários vencimentos, incluindo títulos longos.
A presença desses papéis aumenta a influência da curva de juros reais sobre a cota. Quando a taxa exigida para um título longo sobe, seu preço tende a cair mais do que o de um papel curto; quando a taxa recua, o efeito se inverte. A diferença observada entre o IMA-B 5 e o IMA-B 5+ até agosto mostra que os prazos não entregaram o mesmo resultado em 2026. Os títulos acima de cinco anos tiveram uma recuperação em agosto, com alta de 1,81% no mês, mas ainda acumulavam retorno inferior ao dos títulos curtos no ano.
LFTI11: alta de 10,12% em 2026
O LFTI11 reúne R$ 3,21 bilhões em patrimônio, acumula retorno de 10,12% e registra saída líquida de R$ 102 milhões. Sua carteira acompanha títulos do Tesouro Selic.
O principal motor do resultado é o carregamento dos títulos pós-fixados em um ano de juros elevados. Como referência para essa classe, o IMA-S, índice das LFTs marcadas a mercado, acumulava 9,47% até agosto, o melhor resultado entre os subíndices do IMA naquele intervalo. A Selic foi reduzida para 13,75% em setembro, mas permaneceu em patamar alto. O retorno positivo do ETF e sua saída líquida medem fenômenos diferentes: desempenho da carteira e movimentação de recursos dos investidores.
DIVO11: alta de 12,76% em 2026
O DIVO11 tem R$ 2,60 bilhões em patrimônio, acumula retorno de 12,76% e registra captação líquida positiva de R$ 936 milhões. O fundo acompanha o Índice Dividendos, formado por ações selecionadas segundo critérios ligados à distribuição de rendimentos aos acionistas.
Na carteira vigente em setembro, Itaúsa tinha peso de 5,91%, BB Seguridade de 5,43%, Petrobras PN de 5,38%, Petrobras ON de 4,98% e Copel de 4,85%. A presença conjunta das duas classes da Petrobras, equivalente a mais de 10% do índice, torna o comportamento da companhia particularmente relevante. No segundo trimestre, sua produção operada de petróleo no Brasil chegou a 2,7 milhões de barris diários, avanço de 15% sobre o mesmo período de 2025. O índice também concentra exposição a participações financeiras, seguros e energia elétrica, o que o diferencia da composição mais ampla do Ibovespa.
CDIB11: sem dados reportados pra YTD TR
O CDIB11 soma R$ 2,11 bilhões em patrimônio e recebeu R$ 2,026 bilhões em 2026, a segunda maior captação do grupo. Não há retorno acumulado no ano informado para o ETF.
A estratégia aloca a maior parte da carteira em Tesouro Selic e uma parcela menor em títulos públicos atrelados ao IPCA de prazo longo. Por isso, seu comportamento não é idêntico ao do LFTI11: além do carregamento das LFTs, a parcela em NTN-Bs pode sofrer marcação a mercado quando as taxas reais mudam. A alocação média em Tesouro Selic supera 90% da carteira.
SPXI11: alta de 5,91% em 2026
O SPXI11 tem R$ 1,78 bilhão em patrimônio, R$ 270 milhões em captação e retorno acumulado de 5,91%. Seu referencial é o S&P 500 em uma estrutura sem proteção cambial.
O desempenho das empresas americanas é apenas uma parte do retorno apresentado em reais. A Nvidia, por exemplo, divulgou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre de seu exercício fiscal de 2027, aumento de 106% em um ano. A Alphabet informou crescimento de 24% na receita do segundo trimestre de 2026. Essas companhias integram o universo de grandes ações americanas acompanhado pelo fundo. Ao mesmo tempo, a queda do dólar em relação ao patamar do começo do ano reduziu o valor em reais da exposição externa sem hedge. Essa combinação ajuda a situar a alta do SPXI11 e sua diferença em relação ao SPXR11.
TD3511: sem dados reportados pra YTD TR
O TD3511 alcança R$ 1,63 bilhão em patrimônio e registra captação de R$ 1,561 bilhão em 2026. Não há retorno acumulado no ano informado para o fundo.
Seu índice acompanha especificamente a NTN-B com vencimento em 2035. Diferentemente de uma carteira distribuída por diversos prazos, seu preço fica ligado à taxa real exigida para esse vencimento. A concentração ajuda a explicar a natureza do risco do produto, mas a captação de R$ 1,561 bilhão, por si só, não revela quanto sua cota variou no ano.
TECK11: alta de 12,96% em 2026
O TECK11 reúne R$ 1,34 bilhão em patrimônio, apresenta retorno de 12,96% e registra saída líquida de R$ 41 milhões. O fundo acompanha o NYSE FANG+, índice de dez ações americanas com pesos iguais nos rebalanceamentos. Entre seus integrantes estão Nvidia, Broadcom, Micron, Alphabet, Microsoft, Apple, Amazon, Meta, Palantir e Netflix.
O avanço dos negócios ligados à infraestrutura de inteligência artificial aparece nos resultados de integrantes da carteira. A Nvidia reportou crescimento anual de 117% na receita de data centers no trimestre divulgado em agosto. A Broadcom informou que sua receita com semicondutores para inteligência artificial alcançou US$ 16,7 bilhões no terceiro trimestre fiscal, alta de 221% em relação ao ano anterior. Esses números mostram a dimensão do crescimento operacional de duas das dez empresas do índice. O retorno do TECK11, contudo, incorpora a variação das dez ações e o efeito cambial na cota negociada em reais.
IRFM11: alta de 8,83% em 2026
O IRFM11 tem R$ 1,16 bilhão em patrimônio, recebeu R$ 194 milhões e acumula retorno de 8,83%. Seu índice investe em títulos públicos prefixados, principalmente LTN e NTN-F, com regra para o prazo médio da carteira.
O resultado combina os juros embutidos nesses papéis e a variação de seus preços conforme muda a curva de juros nominais. Até agosto, o IRF-M P2, índice acompanhado pelo produto, acumulava 7,06%; sua carteira tinha duration de 613 dias úteis. O dado ajuda a situar a exposição do IRFM11: ele apresenta maior sensibilidade às taxas do que uma carteira de títulos com vencimento muito próximo, mas segue uma regra de prazo diferente da adotada pelo IDKA11.
PIBB11: alta de 17,15% em 2026
O PIBB11 soma R$ 1,11 bilhão em patrimônio, acumula retorno de 17,15% e tem saída líquida de R$ 69 milhões. Ele acompanha o IBrX 50, índice formado por 50 ações de elevada negociabilidade na bolsa brasileira.
Sua alta supera os 15,76% do BOVV11. Ambos estão expostos a grandes empresas brasileiras, mas seus índices aplicam critérios e pesos próprios. Por isso, a valorização das ações de Vale, bancos ou Petrobras afeta cada carteira em proporção diferente. Os resultados de 2026 dessas empresas são relevantes para interpretar o ambiente das ações brasileiras, mas a diferença exata de retorno entre PIBB11 e BOVV11 não pode ser atribuída a uma única companhia.
IDKA11: alta de 8,37% em 2026
O IDKA11 fecha o grupo com R$ 1,10 bilhão em patrimônio, R$ 245 milhões em captação e retorno acumulado de 8,37%. Assim como o IRFM11, mantém títulos públicos prefixados. Seu referencial, o IRF-M P3, controla o prazo da carteira para manter uma exposição mais concentrada em torno de três anos.
Isso torna a marcação a mercado das taxas nominais especialmente relevante. Como referência da trajetória do índice, o IRF-M P3 registrava alta de 4,75% até junho, quando sua duration era de 693 dias úteis. O avanço do ETF até o recorte atual reflete a continuidade do carregamento dos títulos e das oscilações de seus preços nos meses seguintes. Sua regra de prazo explica por que não se deve tomar o retorno do IRFM11 como se fosse o de uma carteira prefixada idêntica.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.