
Créditos: Pngtree
Os ETFs brasileiros de tecnologia encerraram o primeiro pregão de setembro no campo negativo. Os sete produtos analisados recuaram entre 1,51% e 2,99%, refletindo a queda das ações de crescimento nos Estados Unidos e na China, além da valorização do real frente ao dólar.
Nos Estados Unidos, o Nasdaq Composite caiu 1,03%, enquanto as empresas de tecnologia e consumo discricionário lideraram as perdas. O rendimento do Treasury de dez anos avançou para a região de 4,78% a 4,79%, em meio a uma venda global de títulos soberanos.
O petróleo acrescentou pressão ao cenário. O WTI subiu mais de 5% e superou US$ 90 por barril, enquanto o Brent avançou 4,6%, para US$ 94,65. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou as preocupações com a oferta e com o impacto dos preços de energia sobre a inflação, reforçando a possibilidade de juros elevados por mais tempo.
Esse ambiente afetou com maior intensidade as empresas de tecnologia e crescimento, cujas avaliações incorporam parcela relevante de lucros esperados para os próximos anos. No pregão, o índice de tecnologia do Nasdaq 100 recuou 2,73%.
No Brasil, o dólar comercial caiu 0,47%, para aproximadamente R$ 5,156. Como os ETFs analisados possuem exposição internacional sem neutralização integral do câmbio, a valorização do real retirou retorno das cotas negociadas na B3 e ampliou o efeito negativo das bolsas estrangeiras.
NASD11 (XP Asset): -1,51%
O NASD11 apresentou o menor recuo da relação, com queda de 1,51%. O ETF acompanha o Nasdaq 100, índice formado por grandes empresas não financeiras listadas na Nasdaq, e incorpora a variação do dólar frente ao real.
O resultado refletiu a pressão dos juros americanos sobre as ações de crescimento. O Nasdaq Composite perdeu 1,03%, enquanto o segmento de tecnologia apresentou uma correção mais intensa, acompanhando a alta dos rendimentos dos Treasuries e o aumento das preocupações inflacionárias associadas ao petróleo.
O fundo caiu menos que os ETFs exclusivamente concentrados em tecnologia porque o Nasdaq 100 também inclui empresas de consumo discricionário, comunicação e outros segmentos.
A queda do dólar diante do real acrescentou pressão ao retorno em reais. O efeito cambial ajuda a explicar por que o desempenho do NASD11 foi mais negativo do que a variação do Nasdaq Composite no mercado americano.
UTEC11 (XP Asset): -1,72%
O UTEC11 recuou 1,72%. O fundo acompanha uma carteira ampla de empresas americanas de tecnologia, abrangendo diferentes faixas de capitalização dentro do mercado dos Estados Unidos.
A concentração setorial deixou o ETF mais sensível à alta dos juros longos. As empresas de tecnologia estiveram entre as mais pressionadas no pregão, enquanto o índice de tecnologia do Nasdaq 100 caiu 2,73%.
A queda não ficou restrita às maiores companhias do setor. A venda atingiu empresas de software, infraestrutura digital e semicondutores, em uma sessão marcada pela revisão das expectativas para os juros e pelo aumento do custo de capital implícito nas avaliações das ações de crescimento.
USTK11 (Investo): -1,84%
O USTK11 caiu 1,84%. O ETF oferece exposição ampla ao setor de tecnologia dos Estados Unidos e acompanha uma carteira que inclui empresas de software, hardware, semicondutores e serviços tecnológicos.
O principal fator do pregão foi a alta dos rendimentos dos títulos públicos americanos. O Treasury de dez anos alcançou aproximadamente 4,8%, aumentando a taxa utilizada pelo mercado para descontar os fluxos de caixa futuros das empresas.
A pressão sobre o setor foi disseminada. Microsoft recuou 1,24%, Nvidia perdeu 1,51% e AMD caiu 2,36%. Empresas de equipamentos e infraestrutura tecnológica também registraram perdas.
Como o USTK11 possui exposição cambial, a valorização do real também prejudicou o desempenho da cota na B3. O dólar encerrou o dia em queda de 0,47% diante da moeda brasileira.
TECK11 (Itaú): -2,28%
O TECK11 recuou 2,28%. O ETF acompanha o NYSE FANG+, índice composto por dez grandes empresas de tecnologia e consumo com perfil de crescimento, distribuídas de forma igualitária nos rebalanceamentos. O produto também incorpora a variação entre o dólar e o real.
A estrutura concentrada aumentou a sensibilidade do fundo à correção das grandes empresas de crescimento. Nvidia caiu 1,51%, Microsoft perdeu 1,24%, Tesla recuou 3,22% e Amazon cedeu 1,87% no mercado americano.
O NYSE FANG+ utiliza pesos iguais, o que impede que apenas as empresas de maior valor de mercado dominem o resultado. Dessa forma, quedas expressivas em diferentes integrantes têm impacto relevante, mesmo quando outras ações da carteira apresentam maior estabilidade.
A queda do dólar acrescentou outro componente negativo.
TECX11 (Bradesco Asset): -2,49%
O TECX11 caiu 2,49%. O ETF oferece exposição ao ChiNext, segmento do mercado chinês concentrado em empresas de crescimento, tecnologia e inovação.
O mercado chinês encerrou a sessão em queda, com o Shenzhen Component recuando 1,02% e o ChiNext perdendo 1,32%. O índice STAR, voltado às empresas de ciência e tecnologia, caiu 2,35%.
A fraqueza foi particularmente forte nos segmentos tecnológicos. Ações de produtos químicos eletrônicos e chips de memória ficaram entre as maiores perdas, enquanto o índice chinês de semicondutores recuou aproximadamente 3%.
A sessão também foi marcada pela busca por setores defensivos. Bancos e empresas de consumo básico avançaram, enquanto tecnologia, semicondutores e companhias de crescimento ficaram sob pressão. Esse movimento prejudicou diretamente a exposição temática do TECX11.
CHIP11 (Investo): -2,51%
O CHIP11 recuou 2,51%, registrando a segunda maior queda da relação. O ETF oferece exposição a empresas internacionais da cadeia de semicondutores, um dos segmentos mais pressionados pelo aumento dos juros longos.
O índice de semicondutores SOXX chegou a cair cerca de 2% durante a sessão. Nvidia perdeu 1,51%, AMD recuou 2,36%, Micron caiu 2,64% e Arm cedeu 2,93%. Empresas de equipamentos para fabricação de chips também apresentaram perdas, com quedas de 3,74% para Lam Research e de 3,61% para Applied Materials.
A correção foi associada à venda global de títulos soberanos e à alta do Treasury de dez anos para a região de 4,8%. O movimento atingiu especialmente empresas cujas avaliações dependem da continuidade dos investimentos em inteligência artificial e da expansão dos resultados nos próximos anos.
QQQQ11 (Buena Vista): -2,99%
O QQQQ11 apresentou a maior queda do levantamento, com recuo de 2,99%. O ETF acompanha uma estratégia de alta sensibilidade ao Nasdaq 100 e, por construção, tende a ampliar os movimentos das ações de crescimento que integram seu universo de referência.
A sessão reuniu fatores particularmente negativos para essa exposição. O Nasdaq caiu, os juros longos americanos avançaram e diferentes ações de tecnologia com maior volatilidade registraram perdas superiores às dos índices amplos.
Palantir recuou 3,47%, Oracle caiu 5,23%, Palo Alto Networks perdeu 5,24% e Dell cedeu 6,87%. Os movimentos mostram que a pressão foi mais intensa em empresas de tecnologia com maior sensibilidade às expectativas de crescimento e às taxas utilizadas nas avaliações.
Juros, petróleo e câmbio explicam a queda generalizada
A correção dos ETFs de tecnologia ocorreu em um ambiente de aumento dos rendimentos dos títulos públicos globais e alta expressiva do petróleo. A combinação reforçou as preocupações com a inflação e com a possibilidade de juros elevados por mais tempo, pressionando principalmente as ações de crescimento.
Nos Estados Unidos, as perdas foram mais fortes em semicondutores e empresas de tecnologia com maior volatilidade. Na China, o ChiNext e o mercado de chips também recuaram, ampliando a pressão sobre o TECX11.
A valorização do real acrescentou um componente negativo aos produtos negociados na B3. Como os fundos mantêm exposição a ativos internacionais, a queda do dólar reduziu o valor dessas posições quando convertido para reais.
O resultado final foi uma sessão negativa para todos os ETFs analisados, com perdas maiores nos produtos concentrados em ações de alta sensibilidade, semicondutores e tecnologia chinesa.
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