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Como a tensão no Oriente Médio e a alta do dólar ditaram o rumo dos ETFs Internacionais ontem, 10/08

Geopolítica e Impacto Cambial

O pregão de ontem, 10 de agosto, foi fortemente marcado por eventos geopolíticos e pela reavaliação de expectativas macroeconômicas locais, criando um cenário de aversão ao risco que se refletiu diretamente na cotação dos principais ETFs do mercado.

As incertezas globais, especialmente no Oriente Médio, foram os principais catalisadores do dia. A possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz e a escalada de tensões envolvendo o Irã provocaram um salto de aproximadamente 5% nos preços do petróleo (com o Brent superando US$ 87). Esse movimento de estresse geopolítico gerou uma busca imediata por portos seguros, o que ajuda a explicar o desempenho isolado do GOLD11, que liderou os ganhos da nossa amostra com uma expressiva valorização de 1,52%.

O Peso do Dólar e a Dinâmica do Currency-Hedged

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta firme, na casa de R$ 5,11 (avanço superior a 0,50%), refletindo tanto o cenário de cautela externa quanto os ajustes internos. O ETF DOLB11 acompanhou essa movimentação com precisão, registrando alta de 0,51%.

No cenário local, a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central mostrou a sexta queda consecutiva na projeção de inflação (IPCA), recuando para 5,02% em 2026. Contudo, a estimativa para a Selic permaneceu ancorada em 13,75% para o fim do ano, mantendo o diferencial de juros no radar dos investidores locais, enquanto a Bolsa brasileira (Ibovespa) operou em leve baixa.

A apreciação da moeda americana foi decisiva para o descolamento de performance entre estratégias protegidas e desprotegidas no mercado internacional. Em Wall Street, o índice S&P 500 recuou 0,1% no dia, afastando-se de suas máximas históricas. Ao observarmos os ETFs locais que replicam o índice, a diferença estrutural é evidente:

  • O SPXR11, que possui proteção cambial (currency-hedged), capturou o movimento real de queda da bolsa americana e fechou negativo em -0,07%.

  • O SPXI11, sem proteção cambial, absorveu integralmente a alta do dólar frente ao real, revertendo a queda do índice original para entregar um retorno positivo de 0,41%.

Esse comportamento reforça o papel do câmbio como principal amortecedor ou detrator de retornos em períodos de aversão ao risco, evidenciando como a tensão geopolítica pode afetar diretamente os veículos hedgados.

Tecnologia e Exposição Global

O  setor de tecnologia também sofreu pressões nos Estados Unidos. O índice Nasdaq recuou 0,3% em 10 de agosto, influenciado pelo recuo de gigantes como a Intel, que caiu mais de 4% após o anúncio de que poderia vender US$ 15 bilhões em ações para financiar investimentos em inteligência artificial. Apesar desse cenário adverso no exterior, o câmbio foi suficiente para manter o ETF NASD11 no azul, fechando com ganhos de 0,52% no Brasil.

Outros índices de exposição global se apoiaram na mesma força cambial para fechar a sessão em território positivo, com o WRLD11 (+0,39%), PKIN11 (+0,31%) e IVWO11 (+0,23%) refletindo a conversão favorável de ativos denominados em moedas fortes em um dia em que o mercado global pausou para avaliar o agravamento das cadeias de suprimento e inflação globais.

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